Engrenagens Biológicas

Como se fossem pequenas máquinas, insetos jovens da espécie Issus coeleoptratus contam com a ajuda de minúsculas engrenagens em suas patas traseiras para conseguir executar saltos precisos. É a primeira vez que se observa um mecanismo desse tipo na natureza. Embora as estruturas tenham sido descobertas há décadas (mais precisamente nos anos 1950), sua função era desconhecida. Recentemente, porém, os pesquisadores Gregory Sutton e Malcolm Burrows (ambos da Universidade de Cambridge, EUA) descobriram para que servem essas pequenas engrenagens, que antes ficavam relegadas a “pequenas e estranhas notas de rodapé em manuais de anatomia”, nas palavras de Sutton. Há pelo menos 10 anos a dupla estuda os movimentos de insetos saltadores (como pulgas, grilos e gafanhotos). Ao filmar exemplares jovens de I. coeleoptratus, Sutton e Burrows notaram que eles moviam as patas traseiras a um intervalo extremamente preciso (30 milionésimos de segundo), curto demais para ser obra do sistema nervoso. Intrigados, eles analisaram a anatomia do inseto e descobriram que o segredo estava em pequenas estruturas dentadas, que, como engrenagens fabricadas por humanos, giravam em sentidos opostos, esticando suas patas em harmonia. Conforme crescem, os I. coeleoptratus perdem essas estruturas, possivelmente por causa do atrito – e isso não compromete a precisão de seus saltos. “O que nós temos é um protótipo de uma roda dentada de alta velocidade que não está limitada pelas técnicas de construção de máquinas do século 18 [usadas até hoje]“, destaca Sutton. Essa descoberta pode ajudar no desenvolvimento de máquinas em pequena escala mais precisas – com a tecnologia atual, as engrenagens sofrem muito com atrito, o que prejudica o desempenho dos aparelhos. Graças a técnicas de impressão 3D, seria possível fabricar engrenagens tão precisas e resistentes quanto as dos jovens I. coeleoptratus. (Fonte: National Geographic)

Baleias com Patas

Há milhões de anos existiu uma espécie de “baleia” com patas. O animal, chamado de arqueoceto, é uma forma primitiva de cetáceo. Ele era aquático, como as baleias, mas tinha dentes semelhantes ao de crocodilos e patas que permitiam que andasse sobre a terra. No deserto de Ocucaje, no Peru, arqueólogos encontraram os fósseis mais antigos de arqueoceto conhecidos até o momento. Acredita-se que os fósseis têm entre 36 e 40 milhões de anos. Antes da descoberta, fósseis de arqueocetos só haviam sido localizados no Egito, Paquistão, Índia e na América do Norte. Esses mamíferos primitivos podem ter vivido até 50 milhões de anos atrás, e podem ajudar os cientistas a entender como ocorreu a evolução das baleias. Acredita-se que o primeiro ancestral da baleia era um onívoro peludo, de quatro patas, que evoluiu para uma variedade de anfíbios há 50 milhões de anos. Com o tempo, as baleias teriam perdido a conexão entre a espinha dorsal e as patas traseiras, que sumiram gradualmente. (Fonte: Hypescience)

Celulares Vulneráveis

O especialista em segurança alemão Karsten Nohl, fundador da Security Research Labs, anunciou no fim de julho que descobriu uma falha na sequência de 56 dígitos que protege os chips SIM de celulares. De acordo com ele, um em cada oito chips pode ser vulnerável, o que totalizaria cerca de 750 milhões de cartões SIM em todo o mundo. A partir de uma brecha encontrada por Nohl, seria possível clonar e ter acesso a todas as informações do aparelho. Isso poderia ser feito facilmente, com o envio de um SMS com o mesmo poder de uma mensagem especial enviada pelas operadoras para a realização de atualizações no cartão. Quando essa mensagem é enviada, o telefone responde com um código, com o qual um hacker poderia clonar o chip. Ainda não existem evidências de que a falha atinja os cartões mais novos. De acordo com a CNN, a falha foi corrigida por cinco operadoras que tinham clientes vulneráveis, mas os nomes das empresas não foram divulgados. Ao invés de trocar os chips, o que seria muito complicado e custoso, as operadoras se aproveitaram da própria falha para corrigir o erro. Elas utilizaram a vulnerabilidade descoberta por Nohl e hackearam os próprios chips para atualizar partes do sistema operacional. Até o momento, não há maneiras de saber quais celulares ainda estão vulneráveis. Mas pelo menos é tranquilizador saber que algumas operadoras conseguiram resolver esse problema bem rápido. (Fonte: CNN)

Computação Quântica

Recentemente, pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça deram um novo passo rumo à construção de um computador quântico: eles conseguiram teletransportar bits de informação dentro de um chip – com um índice de sucesso maior do que o de experimentos similares. Outros grupos haviam conseguido isso com a ajuda de lasers, algo que, porém, não seria prático na construção de um computador quântico (uma das grandes promessas da mecânica quântica).No novo experimento, os cientistas inseriram três circuitos eletrônicos de escala micrométrica (1 micrômetro = a milionésima parte de 1 metro) em um pequeno chip de computador, de 7 x 7 mm. Dois serviriam como transmissores, e o terceiro como receptor. Em seguida, eles resfriaram o chip a uma temperatura próxima do zero absoluto (-273,15°C) e passaram uma corrente elétrica por ele, fazendo com que os elétrons nos circuitos começassem a se comportar segundo as regras da mecânica quântica. Aproveitando uma propriedade chamada “entrelaçamento” (em que duas partículas ficam conectadas mesmo a distância, e alterações feitas em uma ocorrem ao mesmo tempo na outra), os cientistas conseguiram enviar informações dos transmissores para o receptor. Além do sucesso do experimento, vale a pena destacar que eles conseguiram criar bits quânticos (um tipo de unidade de informação) relativamente grandes, compostos por bilhões de elétrons; e, quando foram repeti-lo, foram bem sucedidos em quase todas as vezes – algo raro em experimentos como esse. Ainda há diversos desafios para a construção de computadores quânticos, mas a cada nova experiência ficamos mais próximos dessa (ainda hipotética). (Fonte: Hypescience)

Câmera Lenta

De acordo com uma nova pesquisa, as moscas evitam ser golpeadas da mesma forma que o personagem de Keanu Reeves desviava de balas que voavam em sua direção, na antológica cena do filme Matrix: ao observar o tempo passar mais lentamente. Os cientistas envolvidos na pesquisa constataram que quanto menor é um animal, mais rápida é a sua taxa metabólica e, consequentemente, mais devagar o tempo passa para ele. Isso significa dizer que, em uma ampla gama de espécies, a percepção do tempo está diretamente relacionada ao tamanho. Ou seja, pequenos animais veem o mundo em um ritmo que nós classificaríamos de câmera lenta, ao utilizarmos o nosso passar do tempo como referência. Já para animais maiores do que nós, o dia passa como se o botão “fast forward” dos antigos videocassetes estivesse acionado. Como consequência, para os olhos dos humanos, pequenas criaturas se movimentam muito rápido, e seres grandiosos são mais vagarosos do que nós. Os resultados, publicados na revista “Animal Behaviour”, são provenientes de pesquisas sobre a capacidade dos animais de detectarem determinados flashes de ondas de luz. O ponto em que os flashes parecem se fundir, de modo que a fonte de luz pareça constante, fornece uma precisa indicação da percepção do tempo. Os estudos que comparam o fenômeno em diferentes animais revelaram a ligação com o seu tamanho. Mais de 30 espécies foram estudadas para a pesquisa, incluindo roedores, enguias, lagartos, galinhas, pombos, cães, gatos e tartarugas. O cientista Andrew Jackson, do Trinity College Dublin, na Irlanda, liderou o estudo e conta que diversos pesquisadores já observaram a diferente passagem do tempo em espécies distintas de animais ao medir a percepção da luz. [...] O estudo apoia a noção de que as diversas percepções de tempo em diferentes animais estão diretamente ligadas à expectativa de vida dos mesmos. Um dia, no nosso conceito de seres humanos, pode não ser muito, mas, sob a percepção de tempo de uma mosca, é quase uma vida inteira (seu ciclo de vida, na realidade, dura entre 25 e 30 dias). O mesmo acontece se pegarmos o referencial da outra ponta. Para um elefante, cuja expectativa de vida é de 80 anos, o mês passa muito mais rápido do que para seu sobrinho de 5 anos. Finalmente uma base científica para a observação empírica de que “este ano passou voando”, “antes não era assim” e outras expressões que ouviremos cada vez mais à medida que o final do ano se aproxima. (Fonte: The Telegraph)

Coma Profunda

Uma pesquisa da Universidade de Montreal descobriu um estado ainda mais profundo de coma e tem levado médicos a reconsiderar o que, por muito tempo, foi admitido como morte cerebral. Os pesquisadores verificaram que mesmo quando o registro de eletroencefalograma deixa de mostrar atividade cerebral, é possível estimular o retorno da atividade cerebral por meio da indução do coma, de acordo com artigo publicado na última quarta-feira na revista científica PLoS One. Parte da experiência consistiu em anestesiar mais de 20 gatos e medir as atividades cerebrais dos animais em diferentes estados de coma. A abordagem foi inspirada na descoberta de um doente em coma que voltou à vida após receber medicação para epilepsia. É "a forma mais profunda de coma obtido até agora", afirma o estudo. "Os resultados atuais devem servir os médicos na avaliação de profundidade do coma do paciente", escrevem os pesquisadores, para quem a descoberta pode afetar o que os médicos consideram morte cerebral. Não está claro por que a atividade do cérebro retorna neste coma profundo, mas os pesquisadores sugerem que ao relaxar as principais funções do cérebro, outras funções podem tornar-se livres de restrições anteriores e reiniciar atividades.

Genoma de 700 Mil Anos

Uma equipe de cientistas decifrou e apresenta agora na Nature o genoma completo de um cavalo que viveu há 700 mil anos. O osso que possibilitou este trabalho foi encontrado no permafrost da província canadiana de Yukón. Este é o genoma mais antigo sequenciado, sendo que o DNA tem pelo menos mais 500 mil anos do que a sequência mais antiga. “Não se trata de pequenos fragmentos mas sim do genoma completo, os 32 pares de cromossomos de um organismo que viveu há 700 mil anos”, explica Ludovic Orlando, um dos autores do estudo. O fóssil – o osso da parte inferior da pata – foi recuperado em 2003 por uma equipe liderada por investigadores do Museu de História Natural da Universidade de Copenhagen (Dinamarca). O fóssil preservou-se enterrado debaixo de uma camada permanente de gelo. Foi este estado de congelamento que permitiu que estivesse rodeado por aquilo que os investigadores puderam identificar como restos biológicos do animal. Durante estes dez anos, os cientistas sequenciaram o genoma e compararam-no com o DNA de exemplares domésticos atuais (Equus ferus caballus) , com o burro (E. asinus) e com o cavalo pré-histórico Przewalski (E. f. przewalskii), que está atualmente a ser reintroduzido na natureza. Esta investigação tem implicações importantes no estudo da evolução das espécies equinas. Os resultados da análise comparativa permitiram averiguar que a linhagem dos Equus que deu lugar a todos os cavalos atuais, aos burros e às zebras teve origem há mais de quatro milhões de anos, o dobro do que se pensava. Além disso, os investigadores chegaram à conclusão de que a separação entre o cavalo E. f. przewalskii e os domésticos terá acontecido entre 38 e 72 mil de anos atrás. Os Przewalskii são, assim, a única espécie de cavalo selvagem que hoje existe.(Fonte: Ciência Hoje PT / Nature)
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